Ativistas que lutam contra a aids celebraram ontem a saída da ministra
da Saúde da África do Sul, Manto Tshabalala-Msimang, destituída na
quinta-feira pelo novo presidente, Kgalema Motlanthe. Num país que têm
o maior número de soropositivos do mundo (5,5 milhões), Manto é
acusada de agravar o problema ao promover o uso de suplementos
nutricionais em vez de medicamentos tradicionais no tratamento da aids.
A ex-ministra dizia que não confiava nos anti-retrovirais e preferia
fórmulas caseiras, com alho, azeite, limão, batata e outros legumes.
Suas recomendações lhe renderam o apelido de "Dra. Beterraba" - seu
ingrediente preferido para tratar soropositivos -, e a tornaram o alvo
preferido dos cartunistas.
Manto, que foi substituída por Barbara Hogan, rejeitou as acusações.
"Quem me critica é a imprensa, que não tem noção do problema. Estou
feliz com o novo desafio", disse a ex-ministra, que assumirá um cargo
mais baixo no governo, o de chefe de Comunicações.
"Dezenas de milhares de sul-africanos morreram por causa das políticas
ridículas do governo para lidar com a aids", disse, em comunicado, o
partido opositor Aliança Democrática. "Ela deveria ter saído há nove
anos."
A demissão de Manto indica que Motlanthe - que substituiu o
ex-presidente Thabo Mbeki - vai alterar a criticada conduta do governo
em relação à doença. [i]